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3 Tempo ordinário – C (Lucas 1,1-4; 4,14-21)

Evangelio del 26 / Ene / 2025
Publicado el 20/ Ene/ 2025
por Coordinador - Mario González Jurado
evangelio, Pagola


O PRIMEIRO OLHAR

O primeiro olhar de Jesus não se dirige ao pecado das pessoas, mas ao sofrimento que arruína as suas vidas. O primeiro que toca o seu coração não é o pecado, mas a dor, a opressão e a humilhação que sofrem os homens e as mulheres. O nosso maior pecado consiste precisamente em fecharmo-nos ao sofrimento dos outros para pensarmos apenas no nosso próprio bem-estar.

Jesus sente-se «ungido pelo Espírito» de um Deus que se preocupa com quem sofre. É esse Espírito que o impele a dedicar toda a sua vida a libertar, alíviar, curar, ao perdoar: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu. Enviou-me para dar a Boa Nova aos pobres, para anunciar a liberdade aos cativos e a visão aos cegos, para libertar os oprimidos, para anunciar o ano da graça do Senhor».

Este programa de Jesus nem sempre foi o dos cristãos. A teologia cristã tem dirigido mais atenção ao pecado das criaturas do que ao seu sofrimento. O conhecido teólogo Johann Baptist Metz denunciou repetidamente esta grave deslocação: «A doutrina cristã da salvação dramatizou demasiado o problema do pecado, ao mesmo tempo que relativizou o problema do sofrimento». É assim. Muitas vezes a preocupação com a dor humana foi atenuada pela atenção à redenção do pecado.

Os cristãos não acreditam em qualquer Deus, mas no Deus atento ao sofrimento humano. Perante a «mística dos olhos fechados», própria da espiritualidade do Oriente, centrada sobretudo na atenção ao interior, quem segue Jesus sente-se chamado a cultivar uma «mística dos olhos abertos» e uma espiritualidade de absoluta responsabilidade para atender à dor dos que sofrem.

O cristão verdadeiramente espiritual –«ungido pelo Espírito»– encontra-se, como Jesus, ao lado dos desamparados e humilhados. O que o caracteriza não é tanto a comunicação íntima com o Ser Supremo, mas o amor a um Deus Pai que o envia aos seres mais pobres e abandonados. Como recordou o Cardeal Martini, nestes tempos de globalização, o cristianismo deve globalizar a atenção ao sofrimento dos pobres da Terra.

José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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