FIÉIS A JESUS NO MEIO DAS TENTAÇÕES
Os primeiros cristãos interessaram-se muito cedo pelas «tentações» de Jesus. Não queriam esquecer os conflitos e lutas que ele teve de superar para se manter fiel a Deus. Isso ajudava-os a não se desviar da sua única tarefa: construir um mundo mais humano seguindo os passos de Jesus.
O relato é comovente. No «deserto» pode-se escutar a voz de Deus, mas também se pode sentir a atração de forças obscuras que nos afastam dele. O «diabo» tenta Jesus usando a Palavra de Deus e apoiando-se em salmos que se rezam em Israel: até no interior da religião pode esconder-se a tentação de nos afastarmos de Deus.
Na primeira tentação, Jesus recusa usar Deus para «transformar» as pedras em pão. O primeiro que o ser humano precisa é de comer, mas «nem só de pão vive o homem». O anseio humano não se apaga apenas alimentando o corpo. É preciso muito mais.
Precisamente, para libertar da miséria, da fome e da morte os que não têm pão, é necessário despertar a fome de justiça e de amor no mundo desumanizado dos satisfeitos.
Na segunda tentação, o diabo sugere-lhe, do alto do templo, procurar segurança em Deus. Poderá viver tranquilo, «sustentado pelas suas mãos», e caminhar sem tropeços nem riscos de nenhum tipo. Jesus reage: «Não tentarás o Senhor, teu Deus».
É diabólico organizar a religião como um sistema de crenças e práticas que garantem segurança. Não se constrói um mundo mais humano refugiando-se cada um na sua própria religião. É necessário assumir compromissos arriscados, confiando em Deus como Jesus.
A última cena é impressionante. Jesus olha o mundo desde uma alta montanha. Aos seus pés estão «todos os reinos», com os seus conflitos, guerras e injustiças. Aí quer ele introduzir o reino da paz e da justiça de Deus. O diabo, pelo contrário, oferece-lhe poder e glória se o adorar.
A reação de Jesus é imediata: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás». O mundo não se humaniza com a força do poder. Não é possível impor o poder sobre os outros sem servir o diabo. Os que seguem Jesus procurando poder e glória vivem «ajoelhados» diante do diabo. Não adoram o verdadeiro Deus.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez







