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1 Quaresma – B (Marcos 1,12-15)

Evangelio del 18 / Feb / 2024
Publicado el 12/ Feb/ 2024
por Coordinador - Mario González Jurado
evangelio, Pagola

ESCUTAR A CHAMADA À CONVERSÃO

«Convertei-vos, pois está próximo o reino de Deus». O que podem dizer estas palavras a um homem ou mulher dos nossos dias? A ninguém atrai ouvir uma chamada à conversão. Imediatamente pensamos em algo custoso e desagradável: uma rutura que nos levaria a uma vida pouco atractiva e desejável, cheia apenas de sacrifícios e renúncias. É realmente assim?

Para começar, o verbo grego que se traduz por «converter» na verdade significa «pôr-se a pensar», «rever o foco da nossa vida», «reajustar a nossa perspectiva». As palavras de Jesus poderiam ser ouvidas assim: «Vejam se não tendes de rever e reajustar algo na vossa maneira de pensar e de agir para que se cumpra em vós o projeto de Deus de uma vida mais humana».

Se isto é assim, o primeiro que há a rever é aquilo que bloqueia a nossa vida. Converter-se é «libertar a vida», eliminando medos, egoísmos, tensões e escravidões que nos impedem de crescer de forma saudável e harmoniosa. A conversão que não produz paz e alegria não é autêntica. Não nos está a aproximar do reino de Deus.

Temos então que verificar se estamos cuidando bem das raízes. As grandes decisões não servem de nada se não alimentamos as fontes. Não nos é pedido uma fé sublime nem uma vida perfeita; só que vivamos confiando no amor que Deus nos tem. Converter-se não é empenhar-nos em ser santos, mas aprender a viver acolhendo o reino de Deus e a sua justiça. Só então poderá começar em nós uma verdadeira transformação.

A vida nunca é plenitude ou êxito total. Temos que aceitar o que está «inacabado», o que nos humilha, o que não podemos corrigir. O importante é manter o desejo, não ceder ao desânimo. Converter-se não é viver sem pecado, mas aprender a viver do perdão, sem orgulho nem tristeza, sem alimentar a insatisfação com o que deveríamos ser e não somos. Assim diz o Senhor no livro de Isaías: «Pela conversão e pela calma sereis libertados» (30,15).

José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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