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18 Tempo ordinário – A (Mateus 14,13-21)

Evangelio del 02 / Ago / 2020
Publicado el 27/ Jul/ 2020
por Coordinador - Mario González Jurado
espiritualidad, evangelio, renovación

CRIAR FRATERNIDADE

Um provérbio oriental diz que «quando o dedo do profeta aponta para a lua, o tolo olha para o dedo». Algo semelhante poderia ser dito de nós quando fixamos exclusivamente no caráter portentoso dos milagres de Jesus, sem alcançar a mensagem que eles contêm.

Porque Jesus não foi um milagreiro dedicado a realizar prodígios de propaganda. Os Seus milagres são sinais que abrem uma brecha neste mundo de pecado e apontam já para uma realidade nova, meta final do ser humano.

Concretamente, o milagre da multiplicação dos pães convida-nos a descobrir que o projeto de Jesus é alimentar os homens e reuni-los numa fraternidade real na qual saibam como partilhar «o Seu pão e o Seu peixe» como irmãos.

Para o cristão, a fraternidade não é uma exigência junto com outras. É a única maneira de construir, entre os homens, o reino do Pai. Essa fraternidade pode ser mal entendida. Com demasiada frequência confundimos com «um egoísmo vivo que sabe comportar-se muito decentemente» (Karl Rahner).

Pensamos que amamos o nosso próximo simplesmente porque não lhe fazemos nada especialmente mau, embora mais tarde vivamos com um horizonte mesquinho e egoísta, despreocupados de todos, movidos apenas pelos nossos próprios interesses.

A Igreja, enquanto «sacramento de fraternidade», é chamada a promover, em cada momento da história, novas formas de estreita fraternidade entre os homens. Os crentes devem aprender a viver com um estilo mais fraterno, escutando as novas necessidades do homem de hoje.

A luta pelo desarmamento, a proteção do meio ambiente, a solidariedade com os famintos, o partilhar com os desempregados as consequências da crise econômica, a ajuda aos drogados, a preocupação com os idosos sozinhos e esquecidos… são outras tantas exigências para quem se sente irmão e quer «multiplicar»» por todos o pão que os homens necessitam para viver.

O relato do evangelho lembra-nos que não podemos comer tranquilos, o nosso pão e o nosso peixe, enquanto junto a nós há homens e mulheres ameaçados por tantas «fomes». Os que vivem tranquilos e satisfeito devem ouvir as palavras de Jesus: «Dai-lhes vós de comer».

José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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