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4 Quaresma – C (Lucas 15,1-3.11-32)

Evangelio del 27 / Mar / 2022
Publicado el 21/ Mar/ 2022
por Coordinador - Mario González Jurado
evangelio, Pagola

A TRAGÉDIA DE UM BOM PAI

Exegetas contemporâneos abriram uma nova forma de ler a parábola tradicionalmente chamada do «filho pródigo», para descobrir nela a tragédia de um pai que, apesar do seu «incrível» amor pelos seus filhos, não consegue construir uma família unida. Isso seria, segundo Jesus, a tragédia de Deus.

A atuação do filho mais novo é «imperdoável». Dá por morto o seu pai e pede a parte da sua herança. Desta forma quebra a solidariedade da casa, deita por terra a honra da família e põe em perigo o seu futuro, ao forçar a repartição das terras. Os ouvintes devem ter ficado chocados ao ver que o pai, respeitando a irracionalidade do seu filho, punha em risco a sua própria honra e autoridade. Que tipo de pai é este?

Quando o jovem, destruído pela fome e humilhação, regressa a casa, o pai volta a surpreender a todos. «Comovido» corre ao seu encontro e beija-o efusivamente diante de todos. Esquece-se da sua própria dignidade, oferece-lhe o perdão antes de que se declare culpado, restabelece-o na sua honra como filho, protege-o da rejeição dos vizinhos, e organiza uma festa para todos. Finalmente poderão viver como uma família de forma digna e feliz.

Infelizmente, falta o filho mais velho, um homem de vida correta e ordenada, mas de coração duro e ressentido. Quando chega a casa humilha publicamente o seu pai, tenta destruir o irmão e exclui-se da festa. De qualquer modo, festejaria algo «com os seus amigos», não com o seu pai e o seu irmão.

O pai também sai ao seu encontro e revela-lhe o desejo mais profundo do seu coração de pai: ver os seus filhos sentados à mesma mesa, partilhando amistosamente um banquete festivo, acima de confrontos, ódios e condenações.

Povos enfrentados pela guerra, terrorismos cegos, políticas insolidárias, religiões de coração endurecido, países afundados em fome… Nunca partilharemos a Terra de uma forma digna e feliz se não nos olharmos com o amor compassivo de Deus. Este novo olhar é a coisa mais importante que podemos introduzir hoje no mundo, nós os seguidores de Jesus.

José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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