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Santíssima Trindade – C (João 16,12-15)

Evangelio del 15 / Jun / 2025
Publicado el 09/ Jun/ 2025
por Coordinador - Mario González Jurado
evangelio, Pagola


É NECESSÁRIO ACREDITAR NA TRINDADE?

É necessário acreditar na Trindade? Pode-se? Serve para algo? Não é uma construção intelectual desnecessária? Será que muda a nossa fé de alguma forma se não crermos no Deus trinitário? Há dois séculos, o famoso filósofo Immanuel Kant escreveu estas palavras: «Do ponto de vista prático, a doutrina da Trindade é perfeitamente inútil».

Nada poderia estar mais longe da verdade. A fé na Trindade muda não só a nossa visão de Deus, mas também a nossa compreensão da vida. Confessar a Trindade de Deus é crer que Deus é mistério de comunhão e de amor. Não é um ser fechado e impenetrável, imóvel e indiferente. A sua misteriosa intimidade é apenas amor e comunicação. Consequência: no fundo último da realidade, dando sentido e existência a tudo, não há nada senão Amor. Tudo o que existe vem do Amor.

O Pai é o Amor original, a fonte de todo o amor. Ele começa o amor. «Só ele começa a amar sem motivo; mais, é Ele quem desde sempre começou a amar» (Eberhard Jüngel). O Pai ama desde sempre e para sempre, sem ser forçado ou motivado de fora. Ele é o «amante eterno». Ama e continuará sempre a amar. Nunca nos retirará o seu amor e fidelidade. Dele só brota o amor. Consequência: criados à sua imagem, somos feitos para amar. Só amando é que conseguimos existir.

O ser do Filho consiste em receber o amor do Pai. Ele é o «Eternamente Amado», antes da criação do mundo. O Filho é o Amor que acolhe, a resposta eterna ao amor do Pai. O mistério de Deus consiste, pois, em dar e também em receber amor. Em Deus, deixar-se amar não é menos do que amar. Receber amor também é divino! Consequência: criados à imagem desse Deus, somos feitos não só para amar, mas para sermos amados.

O Espírito Santo é a comunhão do Pai e do Filho. Ele é o Amor eterno entre o Pai amoroso e o Filho amado, o que revela que o amor divino não é posse ciumenta do Pai nem açambarcamento egoísta do Filho. O verdadeiro amor é sempre abertura, dom, comunicação transbordante. Por isso, o Amor de Deus não se fica em si mesmo, mas comunica-se e estende-se às suas criaturas. «O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Romanos 5,5). Consequência: criados à imagem desse Deus, somos feitos para nos amarmos uns aos outros, sem acumular e sem nos fecharmos em amores fictícios e egoístas.

José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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